De início é conveniente ressaltar que o cargo de Vice Presidente da República que deveria ser muito importante, no nosso processo político passou a ser algo sistematicamente desvalorizado por nossas elites.
Antes da Ditadura Militar, na vigência da Constituição de 1946, o Vice era eleito pelo voto direito e poderia até ser de partido diferente do candidato à Presidência (foi o caso do vice João Goulart) quando o eleito foi o inefável Jânio Quadros da UDN. Hoje o Vice é um candidato sem votos.
O que deixa a gente perplexo é que o Vice em algumas hipóteses terá que substituir o presidente que for eleito em sua chapa; em caso de morte, por exemplo, pois estar alguém vivo não se lhe garante a imortalidade. Num só instante qualquer ser humano pode morrer, sem qualquer previsão. Também em caso de impedimento definitivo ou temporário do titular. Por fim, à experiência pessoal que, a toda evidência, está ligada à vivência que se adquire com a idade.
Em outros paises democráticos cargos da importância do Vice exigem a maturidade do candidato e alguns casos, notoriedade. No Brasil age-se, nesse caso, imitando o mau exemplo dos EUU que, até lá, sofre pesadas críticas.
A escolha do candidato a Vice, feita pela oposição, revelou claramente a fraqueza política da candidatura do Caviloso. A decisão foi de última hora e representou (ao fim do último dia) um simples arranjo, que os próceres oposicionistas não tiveram pejo de declarar aos meios de comunicação.
A "nomeação" do Índio da Costa, por imposição do DEM, sob a ameaça de retirada do tempo na TV e de uma negociação frustrada no Paraná, foi algo inimaginável na nossa política e revelou o despreparo e o desapreço da coligação PSDB/Dem–Arruda-PPS pela seriedade da campanha política para eleição presidencial.
Olhem o que disse o nosso Índio, em entrevista à UOL:
“A única vez que troquei algumas palavras com José Serra foi na estréia do Brasil na Copa contra a Coréia do Norte”., ou seja, o Vice nem conhece, pessoalmente, o candidato à presidência junto ao qual vão disputar os cargos mais importantes da escala política do país.
Com razão o Presidente Lula indagou, ao ouvir o nome do Índio:
“Quem é ?
“De onde ele é?”.
À exceção de uma parte dos eleitores do Estado do Rio de Janeiro, o Índio é um desconhecido em todo o restante do país.
A mídia partidária, particularmente os Jornalões e a Podridão da Revista Veja, minimizam esses aspectos importantes, destacam a notícia como se fora uma coisa normal. Essa mesma mídia que tem como mote a chamada COMPETÊNCIA do candidato da oposição. Ora, que competência é essa que o leva até ao último o minuto - quase na prorrogação – para a escolha do Vice e arranja, afinal, um rapaz de 39 anos, totalmente despreparado que confessou estava sendo colhido de surpresa.
O desconhecimento do companheiro de chapa é tanto que no discurso o Caviloso, ao encerrar o espetáculo, desmanchou-se em elogios ao frustrado Senador Álvaro Dias, descartado na véspera e não disse, sequer, uma palavra sobre o ilustre e aplaudido Vice Índio da Costa.
Por fim é de se indagar? Por que nenhum dos caciques do DEM, conhecidos, quiseram mostrar a sua cara? Parece que não estão confiando no sucesso da dupla. Aliás, o Magalhães Neto, deixou escapar, na hora da raiva, que “a eleição estava perdida, mas não o caráter”. Já, anteriormente, o rancoroso FHC já tinha dito, em outras palavras, que a “vaca estava indo pro brejo”.
A campanha do Serra ficou com o Índio, porém sem cacique.
NÃO NOS DEIXEMOS ENGANAR DILMA É A CONTINUIDADE DO ÓTIMO GOVERNO LULA. A OPOSIÇÃO NEOLIBERAL ESTÁ SEM DISCURSO (e quase sem Vice)..
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