segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O PSDB vai se extinguir com a saída do Aécio? -Quem viver verá.

                       Dois textos na Revista Carta Capital dessa semana enfocam, com complementaridade, dois assuntos ligados à atuação da mídia e da oposição na campanha eleitoral. A deserção de Aécio Neves e o Fantasma da UDN.
                            O primeiro texto, do jornalista Maurício Dias, sob o título “O exemplo de Tancredo”, traz uma notícia importante nesse momento. O ex-governador Aécio Neves, virtual Senador eleito, manifestou a sua intenção de sair do PSDB e fundar novo partido. As razões apontadas são de fácil compreensão. A principal está nos descaminhos do tucanato que ao se unir ao antigo PFL-exArena, hoje DEM, descambou para a direita golpista, cada vez mais, sem voto e apoiado pelo o que há de mais atrasado na mídia. Ao invés de conduzir o partido da direita para suas posições ditas social-democráticas o PSDB se viu mergulhado na direita obscurantista que se alimenta apenas de denúncias e ações de natureza golpista.
                            O novo cenário que se vai descortinar com a mais que provável vitória do PT e aliados nessa eleição não comportaria, na visão do ex-governador, essa oposição tipo udenista, sem voto. Aécio vislumbra outros caminhos mais consentâneos com o momento histórico que o país vive. Pretende, naturalmente, recrutar políticos dispostos a civilizar a disputa pelo poder.
                             Essa nova fase não comportaria mais o papel que a mídia vem exercendo, ou seja, de tornar-se ela mesma um partido de oposição sem ética. Detentora dos meios de comunicação, na sua maior parte monopolista, a mídia mantém o ambiente político em constante tensão, uma vez que dá primazia aos seus interesses, obliterando a formação uma oposição política construtiva e necessária no quadro da democracia brasileira.
                               O jornalista resume que: “O projeto de Aécio: é a criação de um novo partido de oposição democrática e moderada, já que o PSDB renegou esse papel”
                                Impõe, em face do texto do Maurício Dias, reflexão sobre a falta que está sendo sentida nesse momento histórico em que se desatam as amarras do nosso subdesenvolvimento, de uma oposição construtiva apontada para os mesmos desígnios. O que temos hoje é uma oposição diminuída por ações golpistas e sufocada pelas manobras sujas de uma mídia que abusa da liberdade de expressão, tentando, inequivocamente, barrar o caminho democrático do país.
                      
                             O texto do jornalista Argemiro Ferreira intitulado “O fantasma da UDN”, registra o drama em que se debate o PSDB, sufocado pela mídia e "tendo “ocupado com extrema naturalidade, o papel que em outros tempos coube à direita golpista”
Vale transcrever:
“A aposta tucana menos nas urnas do que no golpe apoiado no poder da mídia e na ilusão do tapetão judiciário, pode recomendar rumo diferente a Aécio.
Difamação, preconceito, arrogância e ódio são ameaças a qualquer partido político. A falta de votos alimenta golpismo, denuncismo e escandalização. A UDN das vestais, dos bacharéis e dos intelectuais, antecedeu os tucanos. O PT enfrentou em 2006, a denúncia do dossiê, que só na semana passada afinal o STF mandou arquivar – por absoluta falta de provas -, apesar de bancado na articulação midiática Globo-Veja-Folha-Estadão para forçar o segundo turno. O repeteco do denuncismo de 2010 vem da mesma mídia tucana, buscando igual feito”.
                                  A atuação da mídia golpista usa manobras sujas, com pessoas desqualificadas para sustentar suas denúncias. Como comentado aqui neste espaço: a testemunha chave das denúncias da mídia contra Erenice Guerra um tal de Quicoli é conhecido escroque e marginal cuja atividade mais conhecida é a receptação de cargas roubadas aos caminhões. Homem que inventou uma estória, ou seja, sem qualquer base, pretendeu financiar no BNDES uma sua empresa, hoje se sabe inexistente, com uma absurda pretensão de 9 bilhões de reais, pretensão - cuja existência é duvidosa – teria sido rechaçada pelo Banco. Ademais, um empréstimo de tal monta nem as maiores empresas nacionais e internacionais conseguem num banco de fomento como o BNDES. A mentira às vezes se desvenda pela sua própria inviabilidade.
                               Por fim, a gente é levada a refletir sobre o que vai ocorrer, após essas eleições. Naturalmente há de arrefecer-se o denuncismo e a escandalização correntes, como já ocorreu no passdo. O enfraquecimento e a prevista quase extinção do PSDB com a saída do Aécio Neves e seus melhores quadros moderados que comungam suas legítimas pretensões, jogarão o restante dos tucanos de uma vez por todas nos braços da direita obscurantista.
                           São reflexões baseadas em alguma lógica que, no entanto, dependem de como se desenvolverão os fatos em relação ao novo governo que vai instalar-se.
                          Mais intricado de se vislumbrar agora é qual será o papel da mídia após uma nova derrota eleitoral, em razão  da virulência com que vem atacando.
                                        Quem viver verá.


QUANTO MAIS O GOLPISMO INVENTA ESCÂNDALOS E DENUNCIA, MAIS O CAVILOSO DESPENCA NAS PESQUISAS ELEITORAIS.
VHCarmo.

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