Diante da perplexidade que nos causa tanta viliza espalhada pela mídia, numa tentativa desesperada de salvar a figura aterradora do Caviloso José Serra, quem sabe!, nos conforte um momento de poesia que lembra a grandeza interior do mundinho de cada um de nós, que apesar da pequenez não se mancha com a torpeza e a mentira.
MUNDINHO
Não sou homem do mundo
Sou da minha vasta escuridão
Do meu quintal para dentro
Do meu peito pra fora
Não sou homem do mundo
Sou da janela onde acomodo meus cotovelos
Dos chinelos que reinventam meus dedos
Do recorte de chão que semeia meus pés plantados
Não sou homem do mundo
Sou do meu velocípede quebrado na infância
Dos meus medos e mapas desvairados
Meu passaporte inválido, minha esperança inútil
Minha face instalada
não sou homem do mundo
Sou das minhas plantas sinceras
Meus pássaros e minha gaiola
Meu sofá de nuvens
Meu rodízio de doenças
das minhas crenças absurdas
Meu corrimão de letras
Não sou homem do mundo
Sou do meu grito
Do que vivi e fui vivido
Das minhas miudezas...
Eu sou do meu mundinho
(Ricardo do Carmo 2010 - Poeta autor do livro Amor de Consumo)
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