quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Algo mais é poesia...

Diante da perplexidade que nos causa  tanta viliza espalhada pela mídia, numa tentativa desesperada de salvar a figura aterradora do Caviloso José Serra, quem sabe!,  nos conforte um momento de poesia que lembra a grandeza interior do mundinho de cada um de nós,  que apesar da pequenez  não se mancha com a torpeza e a mentira.   


MUNDINHO

Não sou homem do mundo
Sou da minha vasta escuridão

Do meu quintal para dentro
Do meu peito pra fora

Não sou homem do mundo
Sou da janela onde acomodo meus cotovelos

Dos chinelos que reinventam meus dedos
Do recorte de chão que semeia meus pés plantados

Não sou homem do mundo
Sou do meu velocípede quebrado na infância
Dos meus medos e mapas desvairados

Meu passaporte inválido, minha esperança inútil

Minha face instalada
não sou homem do mundo

Sou das minhas plantas sinceras
Meus pássaros e minha gaiola
Meu sofá de nuvens
Meu rodízio de doenças
das minhas crenças absurdas

Meu corrimão de letras

Não sou homem do mundo

Sou do meu grito


Do que vivi e fui vivido


Das minhas miudezas...

Eu sou do meu mundinho



(Ricardo do Carmo – 2010 - Poeta autor do livro Amor de Consumo)



Nenhum comentário:

Postar um comentário