Ontem foi publicado o último número, em papel, do Jornal do Brasil. Com todas as dificuldades e contingências que a imprensa brasileira sempre enfrentou, o JB sobreviveu na sua forma original por mais de 120 anos. É lamentável que se extinga. Não que o jornal ora extinto tenha sido um modelo de exceção da nossa imprensa; mas numa comparação com os jornalões que continuam a circular, o JB vai deixar saudades.
A sua posição, no curso da história, em relação à democracia é invejável. Ainda agora, em face, do evidente apoio e partidarismo dos jornalões em favor da oposição – nunca confessados – o JB manteve uma linha mais próxima da isenção.
Grandes expoentes do jornalismo brasileiro passaram pelo Jornal do Brasil e sua extinção na certa se explica até mesmo por essa maior isenção no trato da política. Talvez em toda a imprensa brasileira foi o único dos grandes jornais que não promoveu campanha contra o governo Lula e contra o presidente, por sinal governo e presidente melhor avaliados na nossa história.
Os jornalões brasileiros, principalmente os Estadão; a Folha de São Paulo e o Globo se converteram, atualmente, em verdadeiros panfletos em favor da candidatura do ex-governador Serra. O que é pior: para tal fim não têm demonstrado o menor escrúpulo de veicular notícias sem fundamento, denúncias sem prova, graves omissões e manipulação de fatos. Quando forçados, eventualmente, a publicar desmentidos os fazem de maneira sumária, sem o mesmo destaque, em páginas internas.
O uso malicioso das manchetes nesses jornais se tornou corriqueiro. Com a diminuição da circulação, as manchetes exibidas nas bancas se direcionam aos espectadores passantes para causar impacto negativo em relação ao governo, mesmo quando o cerne da matéria não confirma a manchete.
É pena que logo agora, em plena campanha eleitoral, o JB pare de circular, pois era ainda uma reserva de seriedade da imprensa. A gente ficou órfã da isenção dos jornais.
Nesse momento cabe uma reflexão sobre os jornalistas e a sua profissão. A posição desses jornalões – detentores de monopólio - são sustentadas por seus colunistas e editorialistas de uma forma tão subserviente que causa uma certa apreensão quanto à sobrevivência digna e independente da profissão. Ainda agora, em Porto Alegre, os sindicatos da classe clamaram, na chamada Carta de Porto Alegre, por um maior independência dos profissionais e por uma regulação democrática dos meios de comunicação, em especial dos jornais. Os representantes da categoria, no congresso, repudiaram a manobra dos monopólios da mídia que pretendem com a autorregulação manter a situação vigente de submissão aos seus interesses econômicos e ideológicos. A situação se agravou, sobremaneira, com a extinção da lei de imprensa e com a resultante “vacancia legis”, pois ensejou a irresponsabilidade criminal dos que injuriam, caluniam e cometem outros crimes através dos meios de comunicação.
É de se enfatizar as atitudes e pronunciamentos de determinados jornalistas a serviço dos monopólios, pois isto lhes exige um enorme grau de desfaçatez. A muitos desses jornalistas sabujos a situação se revela de um grau ainda maior, uma vez que não podem esconder o pensamento que professavam no passado, antes de se colocar ao serviço sujo dos jornalões.
Para encerrar a gente traz a reflexão do sociólogo Emir Sader sobre uma eventual vitória de Dilma Rousseff e a continuação dos efeitos benéficos das políticas de distribuição de renda e o correspondente avanço da economia brasileira. Observa o sociólogo, com razão, que sendo esta, provavelmente, a terceira derrota consecutiva dos neoliberais, a mídia em geral e os jornalões terão que rever a sua atuação, sob pena de decretarem sua própria extinção ao perder a sua credibilidade, já tão comprometida. Por sinal, como comentou ontem o jonalista Jânio de Freitas em artigo neste espaço, parte importante do empresariado abandonou a campanha do Serra cujas arrecadações (donativos) foram menores do que esse mesmo empresariado deu à Marina que tem como mote principal a ecologia e poucas pretensões a sair vitoriosa.
Seria uma luz ao fim do túnel para iluminar um caminho de regeneração da profissão de jornalista, numa situação futura de efetiva liberdade de expressão.
ACENTUA-SE O DESESPERO NAS HOSTES DO CAVILOSO. CONTINUA PINTANDO DILMA ROUSSEFF NO PRIMEIRO TURNO. VHCarmo.
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