sábado, 19 de novembro de 2011

Um momento de poesia...

NA BOCA.
Manoel Bandeira.

Sempre tristíssimas estas cantigas de carnaval
Paixão
Ciúme
Dor daquilo que não se pode dizer

Felizmente existe o álcool na vida
E nos três dias de carnaval éter de lança perfume
Quem me dera ser como o rapaz desvairado!
Ano passado ele parava diante das mulheres bonitas
E gritava pedindo o esguicho de cloretilo:
-Na boca! Na boca!
Umas davam-lhe as costas com repugnância
Outras porém faziam-lhe a vontade.

Ainda existem mulheres bastante puras para fazer vontade aos viciados.

Dorinha meu amor...
Se ela fosse bastante pura iria agora gritar-lhe como o outro:
(- Na boca! Na boca!
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VHCarmo.

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