domingo, 20 de novembro de 2011

Os "Indignados" e as eleições na Espanha...

                                  Os movimentos sociais na Espanha, em face da grave crise econômica e política que o país atravessa, se concentraram no chamado “Movimento dos “Indignados”.
                                 Os protestos reuniram milhares de pessoas em todo país, especialmente nas suas cidades mais importantes, na indignação contra o caos econômico ao qual a Espanha foi lançada dentro da União Europeia e na chamada Zona do Euro.
                                É inquestionável que as origens da crise que se estende por todos os paises europeus, resultou da adesão ao neoliberalismo e da conseqüente desregulação do sistema financeiro, produtor das chamadas “bolhas financeiras", por sua vez, resultantes da alavancagem e da ação criminosa dos bancos e ataques especulativos contra a economia do país.
                              Ao Movimento dos Indignados faltou uma estruturação e uma bandeira política determinada e objetiva. Sua direção difusa veiculava a sua  própria desvinculação dos  partidos políticos e o seu afastamento das lideranças sindicais, tornando esse discurso também dispersivo e sem resultados práticos como ora se constata.
                                 A esquerda da Espanha no governo socialista entrou nessa crise como ‘Pilatos no Credo’. Por mais que se aplicasse na solução da problemática econômica, faltaram-lhe os meios, pois a crise veio através da contaminação dos mercados no Velho Mundo e dos EEUU. Os socialistas espanhóis se tornaram, assim, as maiores vítimas políticas da crise da Europa e da moeda (o Euro) que atingiu a Espanha.
                              Nas eleições programadas para esse Domingo (20/11) estão sendo  eleitos 350 membros do parlamento e 208 senadores. A previsão, ora confirmada, foi uma vitória esmagadora da direita, que passa a ocupar a chefia do governo por seu candidato direitista Mariano Rajoy.
                             Com a eleição se reforçarão as medidas recessivas e de agravamento do desemprego que é o maior da União Europeia, ( 23%), atingindo de modo mais acentuado os jovens; tudo em obediência aos organismos internacionais, o Banco Central Europeu e o FMI que comandam o processo, dito de resgate. 
                                 A  esta altura uma reflexão: se a direita e suas políticas recessivas neoliberais levaram à crise, como entender que essa mesma direita vai solucioná-la. Gerald Celente economista e analista social do Instituto de Pesquisas Trends não faz por menos: prevê um mergulho da Europa no fascismo que ressurge com ameaças mesmo de guerra que ele chama da grande guerra do século XXI.
                                Olhem o comentário exibido num jornal espanhol, antes do desastre da esquerda que se avizinhava ( e se confirmou) e a participação na eleição dos “Indignados”:

                              Efeito “indignados”.
Na véspera da eleição, o movimento popular dos “Indignados”, que tem promovido grandes mobilizações do país desde maio, clamou a população para votar com “consciência crítica”, considerando a possibilidade da opção dos votos nulos (mas não a abstenção e os votos brancos).
Indignados chamara a atenção para um voto com "consciência crítica".
Para Lohbauer, essa atitude do movimento impediu que ele tivesse um peso majoritário nessa disputa – o que acarreta em deixar as coisas como estão.
O grande problema desse movimento é a falta de uma bandeira política. (...) Sem isso, esses movimentos perdem força. As pessoas acham que podem [mobilizar politicamente] sem posição organizada, mas não dá. Os”Indignados" não tiveram influência, eles só transformam a situação mais tensa e distante do mundo político, porque os indignados também são contra qualquer representação política organizada. Nessas condições, fica impossível propor um modelo alternativo ao vigente”.
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Observação: no Brasil onde a oposição se esfacelou, a mídia tenta - à evidência - promover e apoiar tipos de movimentos como os dos Indignados espanhois.  Felizmente o nosso país ostenta uma forte mobilização em torno dos meios institucionais e uma firme direção de seu governo central, frustrando a ação daqueles grupos midiáticos.
VHCarmo.


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