A transposição das águas do São Francisco para 390 municípios do Sertão e do Agreste dos Estados da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte é um sonho que vinha desde o Império. Sempre foi tida como uma forma de redenção daquela região atingida periodicamente pela seca. A seca, por sua vez, alimentou as oligarquias nordestinas dos coronéis sem alma que a usavam para submeter as populações pobres, com poços, açudes ( que secavam) e frentes de trabalho, prolongando o seu domínio eleitoral e a miséria.
Por toda a República a transposição alinhou inimigos ferrenhos que sempre de tudo fizeram para preservar sua dominação e o atraso.
Quando o Governo Lula resolveu encarar o desafio, recrudesceram as oposições ao projeto, já então, com o auxílio da mídia. Vencida a resistência inicial, quando foi necessário usar a engenharia do Exército, a obra foi começada no seu terço inicial.
Aí, então, outro tipo de resistência apareceu, alinhando razões técnicas que, embora de pouca ou nehuma valia, teve alguma repercussão. A tida como a mais importante seria a alegação de que a água retirada iria secar o São Francisco que, primeiro dever-se-ia recuperá-lo. Argumento cediço uma vez que a água a ser retirada iria para a foz a poucos quilômetros e nada impedia a obra de recuperação do Rio simultâneamente e que já estava e está em andamento. Motivos religiosos explorados pelos inimigos do projeto, chegaram a sensibilizar algumas pessoas desinformadas e levaram um bispo não tão bem intencionado mas, talvez, mal informado a fazer greve de fome, cuja repercussão foi frustrante, para ele e para a mídia que a propagou, talvez como o último cartucho da guerra contrária à transposição.
Passado esse período e continuando a obra, tratou-se de omitir notícias sobre a mesma. Tem sido como algo inexistente, mesmo quando a obra já vislumbra a sua conclusão para o ano vindouro e 2012. É deveras impressionante a omissão de notícias por parte da mídia e, em particular, dos jornalões.
Talvez como sua última viagem como presidente, Lula foi inspecionar as obras da Integração do Rio São Francisco às bacias hidrográficas do nordeste setentrional. O projeto, como se sabe, vai garantir água a 12 milhões de nordestinos daqueles municípios. O Presidente afirmou “O que nós estamos fazendo é justiça social. Eu vim fazer aqui na Paraíba a minha última viagem até o fim do meu mandato e fiz questão, porque esta obra é fundamental para os nordestinos”. Lula disse, ainda, que, em definitivo, toda a obra será concluída em 2012 e a prioridade será a produtividade da agricultura familiar e das pequenas cooperativas. Disse mais em tom emocionado: “a transposição é um das paixões da minha vida”.
Os lotes 7 e 14 do Eixo Norte da obra é considerada a redenção para os quatro Estados. Lula visitou a obra do lote 14 e o túnel Cuncas I, maior túnel para transporte de água da América Latina, com cerca de 15 quilômetros de extensão, percorrendo os Municípios de Mauriti (CE), Barro (CE), Monte Horebe (PB) e São José de Piranhas (PB). No lote 7 estão sendo construídos 13,5 km de canais, 3 barragens, um aqueduto e a base de uma pequena hidrelétrica, percorrendo os municípios de São Jose de Piranhas e Cajazeiras, na Paraíba, desaguando no Reservatório de Engenheiro Ávidos (esta parte será concluída em 2011). Além disso, as obras de integração criaram milhares de emprego integrando a população no consumo.
Hoje, passada a campanha eleitoral, a gente pode avaliar porque a população nordestina votou em peso na Dilma. Ela, sem dúvida, representa a garantia do prosseguimento dessa magnífica obra que e é orgulho para todos os brasileiros e resgata o nosso querido nordeste tão abandonado pelos governos anteriores e tão explorado pela classe dominante cruel dos coronéis (felizmente em processo de extinção).
O que dói é sentir que muitos de nossos patrícios se deixaram enredar pelos inimigos do povo; por aqueles que desprezam os nossos irmãos nordestinos e tentaram, irresponsavelmente, pregar a odiosa idéia separatista.
O nordeste com a sua multifacetada cultura é o Brasil numa das suas maiores expressões.
VHCarmo.
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