sábado, 12 de outubro de 2013

Virada ideológica e partidária (Eduardo-Marina).

Há certas posições ideológicas que se constituem base do pensamento programático de um partido político.

Pode-se alegar - é verdade -  que o Partido dos Trabalhadores promoveu alianças e o fez para viabilizar os seus projetos de governo e para a consecução de seus objetivos maiores. Isto foi feito e se chama pragmatismo político.

As alianças partidárias supõem ações comuns que visem ao projeto dos aliados como um todo sendo produto de concessões recíprocas, ressalvadas as divergências, superáveis - às vezes não - mediante discussão internas.  Isto faz parte da Democracia onde se exclui a unanimidade mas se visa a consecução de um  plano maior que a aliança busca em consenso.

Há  objetivos programáticos - para usar o termo de Marina - que dizem respeito à ideologia e ao programa de determinado partido e de sua substância que são inegociáveis, pois, se admitido desfigurariam uma aliança pragmática por incompatibilidade.

A reflexão produzida no texto, abaixo transcrito,  publicado, hoje 13.10,  em seu blog por  Zé Dirceu, adiciona  irrefutáveis argumentos no sentido apontado  em relação à discutida aliança, de certa forma, suprapartidária de Marina-Eduardo  (Rede e PSB).

Ao abandonar a ideologia que vinham adotando em sua pregressa vida política partidária, encontram-se em clara colisão, tanto um como outro - Eduardo e Marina - cuja soma jamais poderá ser  legitimamente programática. Por outro lado, ambos mudam e repudiam as posições ideológicas e partidárias diferentes  que vinham sustentando ao buscar agora uma sustentação eleitoral conservadora.

A virada para a direita do espectro político, de ambos, onde se enquadra?

Olhem só:


11 out 2013/2 Comentáriosdestaque /Por Zé Dirceu
Marina e Campos
Pela primeira vez desde que anunciaram a aliança PSB-Rede Sustentabilidade sábado pp., a dupla parceira Eduardo Campos-Marina Silva esteve junta em São Paulo. Os dois almoçaram – nos Jardins -, visitaram o governador tucano Geraldo Alckmin, concederam entrevistas e reiteraram que só vão definir candidatura ao Planalto em 2014.

Agora, apertados pelos jornalistas, afinaram os discursos, responderam de forma idêntica e evitaram adiantar qual dos dois disputará o pleito no ano que vem. Reiteraram que estão em busca de “nova política”. Não é a primeira e nem a última vez que Eduardo Campos e Marina Silva afirmam que a aliança deles é programática.

Nesta semana de vigência do pacto deles, só houve um momento em que Marina se traiu: foi quando anunciou sábado passado, em Brasília, o acerto entre os dois, como uma “aliança pragmática”, para corrigir-se em seguida dizendo que é uma “aliança programática”.

Se o dizem, deve ser mesmo aliança programática…

Programática começando pela Código Florestal, alma e coração da Rede Sustentabilidade de Marina e dos ambientalistas, no qual o PSB de Eduardo Campos votou com a bancada ruralista do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), da senadora Kátia Abreu (ex-PSD, agora PMDB-TO); e o PT, com os ambientalistas. Eles podem, Eduardo, Marina, e seus partidos, evidentemente mudar e se associar em torno de um programa básico.
Isso é possível. Todos nós evoluímos e mudamos. Basta ver o governador e mesmo a ex-senadora com suas alianças esdrúxulas, agora com um discurso de nova política, contra o fisiologismo e as raposas da política. Só que, na prática, estão repetindo tudo o que condenam. O que eles não podem é dizer que as alianças dos outros não eram e não são programáticas.
Então o PSB, que até menos de um mês atrás estava no governo – onde ficou anos e anos -, não participou da construção do programa da Frente Brasil Popular em 1989? Seus dirigentes, que participaram daquela construção, eram clones e/ou fantasmas? O PSB não participou da construção do programa de governo do presidente Lula em 2006 e do da presidenta Dilma Rousseff em 2010?

Eduardo e Marina, ministros da administração Lula, sim…

Então, estes dois novos parceiros não governaram e participaram como ministros dos governos Lula, ele como titular do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, ela como ministra do Meio Ambiente? Então, Marina Silva esteve no PT durante 25 anos (filiada e cumprindo mandatos pelo partido) com base em programas publicamente construídos com sua participação e da sociedade organizada?
Claro que participaram. Eduardo e Marina, ministros da administração Lula, sim… Suas atuais declarações simplesmente só comprovam como estão agindo no vale tudo da política, que chancelam com um comportamento um tanto hipócrita e cínico.

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VHCarmo.

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