Há certas posições
ideológicas que se constituem base do pensamento programático de um partido político.
Pode-se alegar - é
verdade - que o Partido dos
Trabalhadores promoveu alianças e o fez para viabilizar os seus projetos de
governo e para a consecução de seus objetivos maiores. Isto foi feito e se
chama pragmatismo político.
As alianças partidárias
supõem ações comuns que visem ao projeto dos aliados como um todo sendo produto
de concessões recíprocas, ressalvadas as divergências, superáveis - às vezes
não - mediante discussão internas. Isto faz
parte da Democracia onde se exclui a unanimidade mas se visa a consecução de
um plano maior que a aliança busca em
consenso.
Há objetivos programáticos - para usar o termo
de Marina - que dizem respeito à ideologia e ao programa de determinado partido
e de sua substância que são inegociáveis, pois, se admitido desfigurariam uma
aliança pragmática por incompatibilidade.
A reflexão produzida no
texto, abaixo transcrito, publicado, hoje 13.10, em seu
blog por Zé Dirceu, adiciona irrefutáveis argumentos no sentido apontado em relação à discutida aliança, de certa forma, suprapartidária de Marina-Eduardo (Rede e PSB).
Ao abandonar a ideologia
que vinham adotando em sua pregressa vida política partidária, encontram-se em
clara colisão, tanto um como outro - Eduardo e Marina - cuja soma jamais poderá
ser legitimamente programática. Por
outro lado, ambos mudam e repudiam as posições ideológicas e partidárias diferentes que vinham sustentando ao buscar agora uma sustentação eleitoral conservadora.
A virada para a direita
do espectro político, de ambos, onde se enquadra?
Olhem só:
Marina e Campos
Pela primeira vez
desde que anunciaram a aliança PSB-Rede Sustentabilidade sábado pp., a dupla
parceira Eduardo Campos-Marina Silva esteve junta em São Paulo. Os dois
almoçaram – nos Jardins -, visitaram o governador tucano Geraldo Alckmin,
concederam entrevistas e reiteraram que só vão definir candidatura ao Planalto
em 2014.
Agora, apertados
pelos jornalistas, afinaram os discursos, responderam de forma idêntica e
evitaram adiantar qual dos dois disputará o pleito no ano que vem. Reiteraram
que estão em busca de “nova política”. Não é a primeira e nem a última vez que
Eduardo Campos e Marina Silva afirmam que a aliança deles é programática.
Nesta semana de
vigência do pacto deles, só houve um momento em que Marina se traiu: foi quando
anunciou sábado passado, em Brasília, o acerto entre os dois, como uma “aliança
pragmática”, para corrigir-se em seguida dizendo que é uma “aliança
programática”.
Se o dizem, deve ser mesmo aliança
programática…
Programática
começando pela Código Florestal, alma e coração da Rede Sustentabilidade de
Marina e dos ambientalistas, no qual o PSB de Eduardo Campos votou com a
bancada ruralista do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), da senadora Kátia Abreu
(ex-PSD, agora PMDB-TO); e o PT, com os ambientalistas. Eles podem, Eduardo,
Marina, e seus partidos, evidentemente mudar e se associar em torno de um
programa básico.
Isso é possível.
Todos nós evoluímos e mudamos. Basta ver o governador e mesmo a ex-senadora com
suas alianças esdrúxulas, agora com um discurso de nova política, contra o
fisiologismo e as raposas da política. Só que, na prática, estão repetindo tudo
o que condenam. O que eles não podem é dizer que as alianças dos outros não
eram e não são programáticas.
Então o PSB, que
até menos de um mês atrás estava no governo – onde ficou anos e anos -, não
participou da construção do programa da Frente Brasil Popular em 1989? Seus
dirigentes, que participaram daquela construção, eram clones e/ou fantasmas? O
PSB não participou da construção do programa de governo do presidente Lula em
2006 e do da presidenta Dilma Rousseff em 2010?
Eduardo e Marina, ministros da
administração Lula, sim…
Então, estes dois
novos parceiros não governaram e participaram como ministros dos governos Lula,
ele como titular do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, ela como
ministra do Meio Ambiente? Então, Marina Silva esteve no PT durante 25 anos
(filiada e cumprindo mandatos pelo partido) com base em programas publicamente
construídos com sua participação e da sociedade organizada?
Claro que
participaram. Eduardo e Marina, ministros da administração Lula, sim… Suas
atuais declarações simplesmente só comprovam como estão agindo no vale tudo da
política, que chancelam com um comportamento um tanto hipócrita e cínico.
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