À esta altura, este humilde blogueiro exausto da
violência dos grupos neonazistas que
continuam a depredar a "maravilhosa" cidade do Rio de Janeiro, volta à poesia e ao seu
"algo mais".
Como é de sua predileção, o soneto
pontua. Demais, são versos métricos e e ritmados, expressão poética que transcende à atualidade
e se eterniza no sentimento de quem ama a poesia.
Quem ainda não ouviu
falar de Emílio de Menezes, o poeta do soneto, por
excelência? por certo muitos poucos. É dele, curitibano
ilustre do fim do século IXX e início século XX (1867/1918) o belíssimo:
NOITE
DE INSÔNIA
Este
leito que é o meu, que é o teu, que é o nosso leito,
onde
esse grande amor floriu, sincero e justo,
e
unimos, ambos nós, o peito contra o peito,
ambos
cheios de anelos e ambos cheios de susto,
este
leito que aí está revolto assim, desfeito,
onde
humilde beijei teus pés, as mãos, o busto,
na
ausência do teu corpo a que ele estava afeito,
mudou-se,
para mim, num leito de Procusto!...
Louco
e só! Desvairado! - A noite vai sem
termo
e
estendendo, lá fora, as sombras augurais,
envolve
a Natureza e penetra o meu ermo.
E
mal julgas talvez, quando, acaso, te vais,
quanto
me punge e corta o coração enfermo
este
horrível temor de que não voltes mais.
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VHCarmo.
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