quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Um momento de poesia (necessário): é "o algo mais",,,

À esta  altura, este humilde blogueiro exausto da violência  dos grupos neonazistas que continuam a depredar a "maravilhosa" cidade do Rio de Janeiro, volta à poesia e ao seu "algo mais".

 Como é de sua predileção, o soneto pontua.  Demais, são versos métricos  e e ritmados, expressão poética que transcende à atualidade e se eterniza no sentimento de quem ama a poesia.

Quem ainda não ouviu falar de Emílio de Menezes, o poeta do soneto, por excelência? por certo muitos poucos. É dele,  curitibano ilustre do fim do século IXX e início século XX (1867/1918) o belíssimo:

NOITE DE INSÔNIA

Este leito que é o meu, que é o teu, que é o nosso leito,
onde esse grande amor floriu, sincero e justo,
e unimos, ambos nós, o peito contra o peito,
ambos cheios de anelos e ambos cheios de susto,

este leito que aí está revolto assim, desfeito,
onde humilde beijei teus pés, as mãos, o busto,
na ausência do teu corpo a que ele estava afeito,
mudou-se, para mim, num  leito de Procusto!...

Louco e só!  Desvairado! - A noite vai sem termo
e estendendo, lá fora, as sombras augurais,
envolve a Natureza e  penetra o meu ermo.

E mal julgas talvez, quando, acaso, te vais,
quanto me punge e corta o coração enfermo
este horrível temor de que não voltes mais.
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VHCarmo.  

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