Por uma pequena margem de votos vai haver segundo turno. A nossa candidata chega a ele com um inequívoco favoritismo, até pela margem de votos que permitiu esse novo turno, ou seja, menos de 3 por cento num horizonte de 100 milhões de votos, com uma diferença de cerca de 15 milhões em relação ao segundo colocado.
É claro que a gente estava torcendo para dar primeiro turno para a Dilma, principalmente por causa dos métodos inescrupulosos com que agem a oposição e a sua mídia golpista.
A luta política no regime democrático faz parte do jogo, embora no nosso país esse jogo não respeite a ética, recorrendo para o chamado vale tudo, para condenáveis baixarias e mentiras, aproveitando-se da pouca participação efetiva da população na política.
A gente sabe que o nosso país tem uma pesada herança colonial e saímos de uma ditadura militar das mais castradoras da participação política somente há 25 anos.
A nossa classe dominante tem, historicamente, um caráter de subserviência em relação aos paises cêntricos do capitalismo, professando a “ideologia do desenvolvimento dependente” defendida e posta em prática pelo sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso do PSDB.
Com a eleição do Presidente Lula foram restauradas as políticas independentes, do não alinhamento e da construção de um desenvolvimento de base popular com distribuição de renda, fortalecimento da economia autônoma, iniciada nos governos de Getúlio Vargas e que foram interrompidas pela ditadura militar, interrupção prolongada pelos governos neoliberais de Collor e FHC o que levou o país a seguidas crises e severo endividamento externo.
Esse atual ciclo virtuoso quem ora vive o nosso país está ameaçado num eventual retorno à ideologia neoliberal representada pelo candidato Serra do PSDB.
O que representaria esse retorno? vejamos, em linhas gerais:
1. O abandono do desenvolvimento autônomo da nação para a adoção da “ideologia do desenvolvimento dependente”.
2, O abandono da política externa independente para adotar o alinhamento automático aos interesses das potências externas e o afastamento do nosso país dos paises emergentes da América Latina, do Mercosul e demais organizações sul/sul e de nossos irmãos da África.
3. O consequente esvaziamento do Estado brasileiro para permitir o retorno da ideologia neoliberal com base na economia externa, mediante alienação e privatização de empresas públicas estratégicas, inclusive a Petrobrás.
4. O abandono da inclusão social das camadas mais pobres do povo, com o esvaziamento das políticas de distribuição de renda, sob o falacioso argumento de que o “mercado” a tudo resolve.
5. A restrição do crédito em geral e para financiamentos habitacionais e para o consumo da classe média e setores populares.
6. A terceirização do serviço público com o desmantelamento das carreiras profissionais, com a precarização do emprego, com a extinção dos concursos públicos, inclusive da desmobilização da segurança e o combate da corrupção (como ocorrido no passado com o esvaziamento da Polícia Federal).
Esses seriam os pontos básicos para a implementação de um eventual governo neoliberal.
O chamado fenômeno Marina nesse quadro, por outro lado, apresenta uma certa gravidade para o momento político, em razão da dispersão que provoca em relação ao cerne da questão em disputa. É evidente que ela representa um pensamento ecológico descolado dos problemas vitais para a continuidade da extirpação da pobreza e do desenvolvimento econômico sustentável e independente. Com um passado recente pelo ministério de Lula ela jamais se revelou uma administradora competente até na sua área: a ecológica.. Com a substituição da Marina, o seu substituto no ministério passou a agilizar as questões submetidas, diminuindo até o desmatamento da Amazônia e propiciando a construção de várias obras urgentes e necessárias, emperradas pela burocracia do ministério durante a gestão Marina, sem desrespeito à ecologia.
A gente fez essa exposição nesse momento por julgar oportuno uma reflexão sobre o segundo turno que será, certamente, um desfile de discussões desfocadas e a tentativa desesperada dos setores neoliberais para retomar o controle do Estado brasileiro, usando os métodos mais antiéticos e as baixarias de sempre.
Saliente-se que a expressiva votação da nossa candidata (47,9%) a coloca como favorita nesse segundo turno, vez que falta-lhe, apenas, cerca 3% dos votos, ou seja pouco mais de 3 milhões.
VHCarmo.
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