A medida em que a mídia se afasta
do Ministro Joaquim Barbosa , evidentemente receosa de suas diatribes que já
não obedecem servilmente a lógica conservadora, ele, o nosso Sultão (o pregador) se agita.
Não perde uma oportunidade sequer para
derramar a sua estranha cultura jurídico/política. Elege sempre um poder da República como
objetivo de suas críticas com distinção maior para o poder legislativo que,
pela própria natureza do regime democrático, é o mais representativo.
Agora no ISBE o nosso Sultão (o
sábio mestre ) encontrou uma platéia dócil e deitou falação, distinguindo, como
sempre, o legislativo e especificamente a Câmara dos Deputados e os Partidos
como alvo.
Os partidos para o Ministro são de
“mintirinha”, expressão chinfrim e de extremo mau gosto.
Que a nossa representação
política necessite de uma reforma para torna-la mais autêntica e legítima não
significa que um Ministro venha a
público ridiculariza-la mesmo porque o
STF que ele comanda não tem sido digno de suas funções e representado tristes
papeis em julgamentos de repercussão mundial e pactuado com a política e regimes de exceção e constantemente carimbando entendimentos para favorecer a direita do seu
espectro. As elites conservadoras são
ostensivamente protegidas pelo STF e disto o Sultão ( o justo) não fala. Esconde-se
atrás da toga e das cadeiras.
Olhem só um exemplo:
ainda que se possa extrair algo
de aproveitável do julgamento da Ação Penal 470 o que restou para o mundo
jurídico foi um julgamento de exceção, no qual foram desprezadas normas
legais e princípios universais
do direito penal, inclusive a presunção de inocência e a necessidade de
prova para basear condenação.
Não há dúvida o nosso Sultão ( o
artista) encarna um estranho papel, beirando ao ridículo, em que se assume, sem que se lhe tenha outorgado, como o
grande crítico do Brasil. Aliás, tem
deitado falação até no exterior.
Com a
natural diminuição de palanques midiáticos e nosso Sultão (o inovador) passou a fazer incursão em órgãos pouco
representativos. Ele ainda não
entendeu que o seu serviço sujo já foi prestado.
Por fim, o nosso Sultão (o
incomparável) ensina o povo como votar e dita o seu entendimento pessoal com o
qual (democraticamente) todos teríamos que aceitar. Ele prega o “voto distrital”.
Olhem
só:
'Nós
temos partidos de mentirinha', diz Barbosa em crítica ao Congresso”.
Saiu Na Folha de São Paulo
FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA
DE BRASÍLIA
Ainda sob o efeito das recentes rusgas
entre o Judiciário e o Legislativo, o presidente do STF (Supremo Tribunal
Federal), Joaquim Barbosa, afirmou nesta segunda-feira que os partidos
políticos são de "mentirinha" e que o Congresso Nacional é
"ineficiente" e "inteiramente dominado pelo Poder
Executivo".
As declarações foram feitas durante uma
palestra proferida no IESB (Instituto de Educação Superior de Brasília),
instituição da qual é professor.
"Nós temos partidos de mentirinha.
Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a
não ser em casos excepcionais. Eu diria
que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em
nenhum dos partidos. E tampouco seus partidos e os seus líderes partidários têm
interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo
poder", disse ao responder a pergunta de um aluno sobre a suposta
interferência do Judiciário em assuntos do Legislativo.
"Está é uma das grandes deficiências,
a razão pela qual o Congresso brasileiro
se notabiliza pela sua ineficiência, pela sua incapacidade de
deliberar", disse o ministro.
O presidente do Supremo afirmou também que
o poder, quando não é exercido, acaba "tomado, exercido por outrem".
"Em grande parte no Brasil esse poder é exercido pelo Executivo".
As críticas ao Legislativo continuaram ao
longo da palestra, quando Barbosa voltou a falar sobre os problemas do
Congresso. "O problema crucial brasileiro, a debilidade mais grave do
Congresso brasileiro, é que ele é inteiramente dominado pelo Poder
Executivo", afirmou. "O Congresso não foi criado para única e
exclusivamente deliberar sobre o Poder Executivo. Cabe a ele a iniciativa da
lei. Temos um órgão de representação que não exerce em sua plenitude o poder
que a Constituição lhe atribui, que é o poder de legislar", afirmou
Barbosa, sob o aplauso dos presentes.
Ao longo de sua palestra, quando tratava
sobre regras e limites impostos aos Poderes para evitar excessos de um sobre os
outros (freios e contrapesos), Barbosa citou a votação da semana passada, que
aprovou a Medida Provisória dos Portos, como um "contraexemplo"
desses limites.
"Os excesso da Câmara dos Deputados
podem ser controlados pelo Senado Federal. Ou seja, o Senado, como é um órgão
composto por pessoas mais idosas, experientes, em geral ex-governadores,
poderia controlar, conter os excessos e saliências
da Câmara dos Deputados", explicou.
"Mas olha, nós tivemos na semana
passada um contraexemplo disso. Uma Medida Provisória de extrema urgência teve
seu tempo de exame de deliberação esgotado na Câmara até o último dia. E o
Senado só teve algumas horas para se debruçar sobre aquele o texto. Daí se vê a
dificuldade de configuração desse controle
do Senado sobre a Câmara dos Deputados na nossa experiência."
VOTO DISTRITAL
Barbosa ainda defendeu a mudança do atual
sistema político que, segundo ele, possibilita a escolha de representantes
desconhecidos do povo. "O Poder Legislativo, especialmente a Câmara dos
Deputados, é composto em grande parte por representantes pelos quais não nos
sentimos representados por causa do sistema eleitoral que não contribui para
que tenhamos uma representação clara, legítima. Passados dois anos da eleição
ninguém sabe mais em quem votou. Isso vem do sistema proporcional", disse,
defendendo a adoção do voto distrital para os deputados federais.
Para o presidente do Supremo, "o
sistema distrital permitiria uma qualificação do Congresso Nacional. Cada
distrito poderia escolher pessoas, personalidades que poderiam dar grande
contribuição ao país. Tenho certeza de que a representação nacional ganharia e
muito com a representação dessas pessoas em qualidade".
"Hoje temos um Congresso dividido em
interesses setorizados Há uma bancada evangélica, uma do setor agrário, outra
dos bancos. Mas as pessoas não sabem isso, porque essa representatividade não é
clara", finalizou.
Também na mesa dos palestrantes, o senador
Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) defendeu o atual sistema, argumentando que o voto
distrital puro poderia prejudicar a representação de minorias nos Congressos,
além de priorizar assuntos locais, deixando de lado temas nacionais.
"O nosso Congresso Nacional é reflexo
da sociedade brasileira, representa o Brasil com suas qualidades e seus
defeitos. É o Poder mais cobrado de todos", rebateu.
Barbosa, então, explicou ao senador que
estava falando não como presidente do Supremo, mas como um professor
universitário.
As críticas, no entanto, continuaram. O
ministro do STF afirmou, por exemplo, que a proposta de emenda constitucional
que limita os Poderes da Corte,"significaria o fim da Constituição de
1988".
"Se levadas adiante essas tentativas,
nós teríamos destruída a Constituição brasileira, todo mecanismo de controle de
constitucional que o Supremo exerce sobre as leis. Significaria o fim da
Constituição de 88, eliminaria o controle judicial", afirmou.
VHCarmo.
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