Há certos textos que a gente tem vontade dele apropriar-se tal a coincidência que apresentam com aquilo que a gente sente e tem vontade de dizer. É o caso deste, escrito por Eduardo Gumarães no seu Blog da Cidadania. Está aí o que este humilde blogueiro queria dizer sobre a morte de um ser desprezível como Roberto Civitas que a vida deu poder mas não lhe livrou da morte e da triste memória.
Olhem só:
Descanse em paz, Roberto Civita
Morreu
Roberto Civita. Morreu de câncer, ainda que a mídia demo-tucana não diga. E não
diz porque não pode, ou porque dizer envolve uma lição de vida que a deprecia.
A lição? Ora, não comemore o sofrimento de seus inimigos porque a fragilidade
humana nos une a todos.
Minha
hora chegará, como chegou para Civita. Porém, estou tranquilo.
Enquanto
ele esteve doente eu jamais fiz o que ele fez com Lula através de seus
blogueiros e colunistas amestrados, que ironizaram a doença do ex-presidente e
deram curso a uma onda de frases hediondas que comemoravam seu câncer, hoje
tido como curado.
Reinaldo
Azevedo, um dos autômatos de Civita, foi particularmente cruel ao mandar o
ex-presidente se tratar no SUS por ter elogiado o sistema durante seu governo.
Quantos outros políticos elogiaram as próprias obras na saúde pública e jamais
foram alvo dessa ironia?
O
ex-tucano Mario Covas, por exemplo, elogiou a própria obra na saúde pública
quando era governador de São Paulo e nem por isso a Veja e assemelhados o
mandaram se tratar no SUS paulista. E muito menos o PT, que se solidarizou com
ele.
Todos
aqueles que não perdoaram Lula nem quando estava tão fragilizado, ainda que eu
não acredite nisso deveriam refletir sobre a morte recente daquele que pagava o
tal Azevedo para fazer coisas como aquelas – digo “pagava” porque, agora, não
paga mais nada, ao menos nesta vida.
Não se
comemora a doença ou a morte de semelhantes. Falar mal de Civita por sua obra à
frente de seu império editorial, neste momento, não é a minha praia. Este é um
momento de dor para os seus familiares.
Contudo,
falar sobre como ele tratou o sofrimento de seus inimigos políticos faz todo
sentido – e, como se sabe, o que faziam e continuam fazendo seus hoje
ex-empregados era e é produto de sua visão de mundo, enquanto estava nele.
Mas a
morte do ex-barão da imprensa tem um sentido mais amplo. Civita foi um homem
tido como muito poderoso, do alto de seus bilhões de dólares e de seu império
descomunal. Contudo, não queiram ver como todo esse poder se tornou nada, ao
fim.
Não é
bonito ver um ser humano agonizar, mas é necessário. Só assim nos damos conta
do que somos, ou do que não somos. E o que nenhum de nós jamais será é
“poderoso”, pois Poderoso só é Deus, para quem acredita Nele como eu.
E, para
quem não acredita em Deus ou deuses, ninguém é poderoso.
Somos
todos seres frágeis como uma flor ou um fio de cabelo. Falíveis, débeis,
assustados com a nossa própria debilidade humana e com a nossa ínfima pequenez
diante do desconhecido, ainda que alguns de nós queiram passar uma ideia
diferente.
Lamento,
porém, a morte de Civita. Tinha muitas críticas a lhe fazer e, agora, não tenho
mais simplesmente porque ele deixou de existir. Posso criticar a obra, mas não
o autor. Ele está fora do alcance de mortais como eu ou você que me lê.
Descanse
em paz, portanto, Roberto Civita.
_______________________________________
VHCarmo.
É isto aí amigo Jansen. Obrigado pelo comentário. VHCarmo.
ResponderExcluir