domingo, 21 de abril de 2013

UM POEMA É ALGO MAIS NO BLOGUINHO....

O "Modernismo" de 1922, como é de geral sabença, representou uma guinada marcante na poesia brasileira.  Como um acontecimento insólito os poetas se desamarraram da hermética dos versos presos às rimas, tradições românticas e  do lusitanismo e se lançaram no berço da linguagem e das  expressões da língua de matriz popular brasileira em sua forma e sentido.
Pontificaram  Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Olavo Bilac  e muitos outros ilustres vates.

De Manuel Bandeira o poema que este escriba transceve abaixo sintetiza bem o que representou , então, a revolução modernista.

Olhem só:

                 VOU-ME EMBORA PARA PASSÁRGADA
Vou-me embora pra Passárgada
Lá sou amigo do rei.
Lá tem a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada.
Vou-me embora pra Passárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Venha ser contrraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Aandarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banho de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chmar a mãe-d'água
Pra me contar histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Passárgada
Em Passárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide a vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a  gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
-Lá sou amigo do rei-
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada.
___________________________________________
VHCarmo.

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