quinta-feira, 11 de abril de 2013

A BALELA DO JURO (2).


                        
A balela do juro (2).

Os jornalões A Folha de São Paulo, O Globo e O Estado, encetaram uma campanha midiática em favor da elevação do juro (SELIC) e para tanto atrelaram tal elevação como necessária ao combate de um imaginável surto inflacionário.
A Folha, na edição de hoje, 11.04.2013, sem declaração conhecida de Dilma que a autorize, afirma que a presidenta já admite elevação na taxa de juros de forma imediata para evitar a subida da inflação.  

É deveras instigante que os jornalões - em uníssono - batam na mesma tecla sem, contudo, explicar ao público  qual seria  a relação entre a elevação do juro e a inflação.

 O economista Antônio Delfim Neto, cujo mérito como mestre em matéria econômica é indiscutível, simplesmente não vê tal relação como existente e até aponta a elevação do juro como danosa à economia, podendo, isto sim, provocar desemprego e queda no investimento das empresas.  O economista chama os especuladores que veiculam essa pretensão de “vendedores de vento”.

Diz o economista:

“A redução permanente da taxa de inflação no Brasil para limites civilizados está longe de poder ser resolvida pela elevação da taxa de juros, simplesmente com a manipulação da Selic”.   (...)  “Especuladores muito ansiosos defendem sem constrangimento a conveniência de promover a elevação do juro real “para gerar logo algum desemprego e, assim, reduzir a taxa de  inflação que tenta se aproximar do limite superior da meta”.  O Copom tem de estar preparado, para “se e quando for necessária”, como disse Tombini (BC), mas não pode e não deve se apressar.  É nesse contexto que deve ser entendida a declaração da Presidente Dilma, motivo de reações um tanto histéricas nos mercados, ao afirmar que o seu governo “não aceita embarcar em políticas que reduzam o crescimento para combater a inflação”. (Carta Capital - 10.04.2013).

Ocorreu que se registrou em março passado um recuo significativo da inflação, em resposta às medidas tomadas pelo Governo.  Os jornalões preferem enfatizar a chamada “visão de retrovisor”, buscando os 12 meses passados. 

Em um texto com o sugestivo título “Tombini e o rentismo”, o economista André Barrocal, na mesma Carta Capital, observa:

 “A tarefa do BC de administrar um problema concreto, com a atual inflação, ganhou um complicador com a tentativa de uma porção do mercado de aproveitar a situação para reaver lucros perdidos com Dilma, que tirou o Brasil o título de campeão mundial do juro. Economistas defensores da visão e dos interesses do mercado têm disseminado críticas e propagado um pessimismo que influência quem fixa os preços, os empresários”  (...) “A tropa do juro alto tem à frente ex-dirigentes do Banco Central. Um trio se destaca : Gustavo Loyola, Ilann Goldfajn e Alexandre Schwartsman, o barítono da opera dos desastre”.

 Acrescente-se, ainda, que o passado não convalida as previsões atuais dos jornalões a serviço da especulação, posto que a manutenção do juro alto por largo tempo - tendo atingido 45% na era FHC – jamais impediu a elevação da inflação. Conviveram ambas em favor dos especuladores.    Por outro lado, àquela época, registrou-se elevada taxa de desemprego, desvalorização acentuada dos salários e queda do investimento das empresas. Em resumo: uma sucessão de crises.

Esta questão do juro coloca mais uma vez a oportunidade de se verificar que a mídia conservadora, sem o menor constrangimento, promove interesses contrários à economia do país e especialmente às camadas mais pobres da população.
 Não há dúvida, no entanto, que, disfarçada ou não, há, também, uma motivação política que  move os barões da mídia conservadora, pois a discussão equivocada sobre o juro, se torna arma que a aposição ao governo acolhe para nutrir seu  pobre discurso.
O aumento do preço do tomate, da cenoura, do açaí, da batata e dos legumes com o pano de fundo dos salários das empregadas domésticas (que ainda não foram pagos) é usado como instrumento de alarme geral pela imprensa.    Talvez ela expresse um desejo de que se prolonguem indefinidamente as intempéries e eventos sazonais contra as hortas, granjas e provoque desemprego das domésticas.  Plagiando o jornalista  Maurício Dias: “quanto melhor pior”.

O povo parece, felizmente, estar vacinado contra tanto alarmismo.  
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VHCarmo.
   

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