Nós.
Guilherme de Almeida (Príncipe dos poetas brasileiros).
O nosso ninho, a nossa casa, aquela
nossa despretenciosa água furtada,
tinha sempre gerânios na sacada
e cortinas de tule na janela.
Dentro, rendas, cristais, flores ..Em cada
canto, a mão da mulher amada e bela
punha com um riso de graça. Tagarela,
teu canário cantava à minha entrada.
Cantava...E eu te entrevia, à luz incerta,
braços cruzados, muito branca, ao fundo,
no quadro claro da janela aberta.
Vias-me..E então, num súbito tremor,
fechavas a janela para o mundo
e me abrias os braços para o amor.
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Do livro "Os mais belos sonetos que o amor inspirou" - Coletânea de J.G. de Araújo Jorge
VHCarmo.
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