É, sem dúvida, um tanto cansativo falar sobre a nossa mídia e sua maléfica atuação no atual contexto do crescimento do país. Na sua maioria esmagadora, mesmo nos núcleos de concessões do Estado, a mídia monopolizada se comporta como uma força de resistência contra o avanço social, econômico e político do Brasil.
Por conseqüência de nossa evolução política, a mídia brasileira tem sido condutora de uma consciência de subalternidade, inicialmente, em seus primórdios, de sustentação ao colonialismo e evolutivamente se colocando como correia de transmissão dos interesses dos impérios econômicos externos, inicialmente com núcleo na Inglaterra e, após a segunda guerra mundial, nos USA., sem se desligar internamente das elites ultraconservadoras.
Um breve escorço histórico da nossa imprensa revelaria que, em poucas oportunidades, ela se colocou na defesa da autonomia e da soberania do país. Até pelo contrário tem colaborado ativamente com os setores mais reacionários, comprometidos com os interesses econômicos e de dominação externos.
É de notável permanência no tempo histórico dos laços mantidos pela mídia brasileira com os setores das forças armadas mais comprometidos com a ideologia de subserviência e com os interesses externos, provocando seguidas rupturas da legalidade e da democracia em favor daquelas forças.
Para exemplificar basta lembrar que, em todos os períodos ditatoriais que o país atravessou, a mídia, sem constrangimento e até cooperativamente, se colocou ao lado da repressão e só tardiamente quando, atacada em seu monopólio, se juntou timidamente aos setores que lutam pela democracia e pela liberdade.
Este preâmbulo é para a gente compreender o tratamento que a grande mídia - as Revistas, os Jornalões e a TVs, - deu à atuação de nossa Presidenta por ocasião da recente abertura da Seção da Assembleia da ONU, em Nova Iorque. Enquanto os jornais e revistas de todo o mundo deram relevância à atuação da Presidenta Dilma e até mesmo a colocaram, em destaque, em suas capas e páginas especiais, a imprensa brasileira (a mídia em geral), quando não tentou ridicularizar a sua atuação até com comentários irônicos, simplesmente negaram a importância de sua atuação,evitando até notícias e comentários sobre o evento.
O discurso de nossa representante que teve a singularidade de ser da primeira mulher a subir ao palco mais importante do mundo, comportou análise de todos os grandes problemas da atualidade, com particular defesa dos nossos valores políticos e nossa vocação para a paz. Foi direito ao ponto ao sugerir os remédios políticos para a superação da crise que assola os paises ditos desenvolvidos e atacou com contundência o recurso à força que as potências têm usado contra os paises mais fracos que, segundo a sua correta avaliação, tem resultado em incremento do terrorismo. Disse ela que a violação dos direitos humanos devem ser combatidos independentemente de suas origens, referindo-se, naturalmente, aos promotores de guerras e assassinatos de populações civis, sob o pretexto de salvá-las.
Dilma assumiu, mais uma vez, a defesa da presença na ONU de um Estado Palestino, dívida não saldada desde 1967. Colocou, afinal à mesa a nossa legítima reivindicação a um posto permanente para o Brasil no Conselho de Segurança.
Foi relevante, também, a bela peroração inicial e final do discurso, em que pontificou a nossa alma latina e a nossa vocação poética e humanística. Dilma, enfim, dignificou a nossa pátria!
Por fim, ocorre a todos brasileiros orgulhosos de seu país, principalmente nesse momento bom que vivemos, a indagação do porquê e qual a razão (oculta ou não) da resistência da mídia, não somente ao atual governo, mas ao país? Qual seria seu objetivo imediato e em longo prazo? O sociólogo Emir Sader recentemente respondeu a essa pergunta singelamente, dizendo que a mídia quer o controle do Estado para colocá-lo a seu serviço e dos setores comprometidos com interesses das elites ultraconservadoras e alienígenas.
Isto provoca, sem dúvida, uma reflexão...
VHCarmo.
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