quinta-feira, 13 de novembro de 2014

UMA TRISTE FIGURA - 2.

O  Aécio Neves, como este blogueiro escreveu - e não se arrepende de tê-lo feito - é uma triste figura.
 O neto do Tancredo não compreendeu o que representava  candidatar-se a Presidente do nosso  país  e contentou-se em ser emissário de ódio, da destruição de conceitos, da tentativa quase ingênua - se não fora odiosa - de destruir a contendora e, por fim, aliar-se a um dos maiores farsantes de nossa política, o FHC, desastrado "principe dos sociólogos", ajudante precioso para enterrar a seriedade do discurso da sua figura inexpressiva, incompatipilizando-o com o povão do nordeste. 
 Aécio teve muitos votos? teve, mas os votos, a rigor, não foram dele, mas da mídia  golpista que, ao mesmo tempo, ditou a sua incapacidade de veicular um discurso digno de pretendente a governar o nosso país.
A mídia perdeu por usar um mau autor e subestimar  os eleitores.   Talvez Aécio  fosse ouvido se revelasse estatura moral e política de pretendente ao cargo, senão com votos para vencer a eleição, mas com aqueles que lhe projetassem a figura de político à altura do cargo.        
 
Aécio Neves, triste figura,  ficou no ódio ao PT que  foi sua cruzada principal da qual se mostrou  portador  e nada mais o importou então  e ainda  parece que lhe guiam os passos após a derrota.  
Triste figura  volta ao Senado acompanhado de seu séquito, mesclado de claques bajulatórias   e golpistas, sem despir-se do ódio e da impressionante vontade de demolir o PT o que parece lhe obsecar.
 
Olhem só:
Um texto muito lúcido  sobre o  Aécio Neves,colhido no Blog do Luiz Nassif, transcrito abaixo:

 
 
Atualizado em 12/11/2014 - 13:09
Por Sérgio Saraiva
“E agora, José?”, inescapáveis os versos de Drummond, do mineiro Drummond. Como Shakespeare, universais, pois falam do homem que chegou a uma situação limite e tem, agora, de repensar sua vida. Inescapável relacioná-los com o momento atual de Aécio Neves.
E agora, José?
A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, e agora, José?
Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho. Já não pode beber, já não pode fumar.
A noite esfriou, o dia não veio, não veio a utopia, e agora, José?
Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta. Quer morrer no mar, mas o mar secou. Quer ir para Minas, Minas não há mais.
José, e agora?
Aécio é um político nascido em Minas Gerais. É neto de Tancredo Neves que era um político mineiro. Nada os une, no entanto, enquanto políticos.
Lembro-me de memória algumas frases de Tancredo:
“Um louco não é um problema. Em Minas, há muitos loucos. Nascem loucos, são meninos louquinhos, crescem, casam, têm filhos e morrem. Sempre loucos. Um louco não é um problema. Um louco só é problema quando assume o poder."
“Um político, quando assume o Executivo, deve pensar duas vezes em tudo que faz. Até para descer da calçada deve ter cuidado. Pode escorregar e bater a cabeça, morrer e colocar o governo em uma situação de crise." Tristemente profético.
Esse era Tancredo, que, acima de mineiro, soube-se fazer um político brasileiro. Seus contrapontos, Brizola e Ulisses eram apaixonados. Quando o país esteve em crise institucional, soube ser a resposta institucional à crise. A solução ponderada. Seja com Jango, seja ao final da Ditadura. Sempre apresentou à nação ideias, uma alternativa, quando não um sonho, como solução aos impasses. O parlamentarismo e a “Nova República”, jamais buscou o confronto. A ideia, a solução ou o sonho eram seus argumentos.
Mas Aécio não foi formado para ser Tancredo. Sua carreira de político não passou pela forja da adversidade, da necessidade de sobreviver e manter a coerência e a integridade ideológica frente a um poder adversário maior e ameaçador. Desde o começo protegido pelo sobrenome, o que construiu, construiu em Minas. Fora de Minas, seu sobrenome não lhe bastou. Parecia ser um conciliador como o avô, seria apenas fraco. Quando não, indolente como os herdeiros da fortuna costumam ser.
Seu desafio não foi os dois mandatos de governador. Estava em Minas. Seu desafio foi o mandato de senador. O de se fazer uma liderança no Congresso. O pensamento conservador estava órfão em 2010. Hoje, têm muitos pais de caras feias e cinta na mão.
Era, então, ter voltado aos livros de economia, às bases do liberalismo americano, aos clássicos do pensamento econômico inglês. Era então, ter ouvido nossos conservadores. Eles estão aí, de Delfim a Bresser-Pereira, passando por Lembo. Era, então, ter formatado uma proposta alternativa a socialdemocracia encampada pelo PT. Haveria muito espaço e aceitação popular para a centro-direita em um país que passa, já há alguns anos, por viés conservador, inclusive nos costumes. Onde estão os fios-dentais das garotas de Ipanema? Só nos restou a deselegância discreta das meninas de Sampa.
Mas não, passou quatro anos exercendo a política do “besouro rola-bosta”. Nenhuma proposta, só acusações ao partido no poder. Falou dos outros, não falou de si. Tornou-se o anti-PT e não o pró-Aécio.
Na campanha, propriamente dita, cometeu o erro que nem Serra, nem Alckmin cometeram. Permitiu colar sua imagem a imagem de FHC. Trouxe imediatamente para a discussão a comparação dos governos Lula X FHC. Sua adversária era Dilma.
FHC é um buraco negro na política, uma enorme gravidade no centro do PSDB, suga toda a energia que está ao seu redor e não emite nenhuma luz.
A partir desse “pecado original”, não mais conduziu sua campanha. Foi conduzido, paradoxalmente, pelo PT. Aécio deve ao PT ter chegado ao 2º turno das eleições de 2014. Marina Silva foi destroçada pelo PT. O PT o escolheu, Aécio, como adversário.
No pós-eleição, cometeu seu “pecado capital” – a ira. Aliou-se aos loucos problemáticos. Permitiu sua imagem ser associada ao que não se curva a vontade das urnas, ao antidemocrático – ao golpismo.
Cuspindo na biografia do avô, recusou-se ao diálogo. Sua última esperança. Dilma fez-lhe passar o cavalo encilhado à porta. Ele não montou. Onde a prudência de quem desce da calçada cuidadosamente?
A noite esfriou, o dia não veio, não veio a utopia, e agora, José?
Agora? Agora a roda rodou e é Alckmin outra vez. Alckmin é o delfim da plutocracia paulista, é a sua cara.
Dezembro está logo aí, as festa de fim de ano, janeiro em férias de verão, o carnaval em fevereiro e a nova legislatura em 2015, a partir de março. O velho Senado com outros nomes.
E se Anastasia, agora, tão senador quanto Aécio, mas com fama de bom administrador e com uma trajetória vencedora, em seu primeiro discurso no plenário, trouxer uma proposta viável e independente? O que fazer com ele? Despacha-lo para BH?
O que ser agora, ser o Aloysio Nunes, fazer o serviço sujo? Já há Aloysio Nunes. E ser o que então, após o leviano dedo em riste?
Fora isso, Aécio é um problema pra a candidatura Alckmin. Será bombardeado pela grande imprensa sediada em São Paulo. Não poderá dar as costas a José Serra – seu escorpião desde sempre e agora no mesmo Senado que Aécio.
Quer ir para Minas, Minas não há mais.
Ser ele o candidato a prefeito em 2016, tentar o governo mineiro em 2018, conformar-se com o Senado? Viver a maldição do eterno retorno de Nietzsche? Um samba de Vanzolini para dar a volta por cima ou a única coisa a fazer é tocar um tango argentino de Manuel Bandeira?
Entre Tancredo e FHC. Na encruzilhada da vida, Aécio fez a escolha errada.
E agora, José?
Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio - e agora?
Sozinho no escuro, qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José!
José, pra onde?

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