A VITÓRIA ELEITORAL EM QUESTÃO
O significado da reeleição da
Presidente Dilma, transcende à simples vitória eleitoral, uma vez que se travou
no pleito uma luta que tem, por um lado,
a prevalência do capitalismo democrático do governo e do outro a tentativa da reinstalação do
capitalismo de mercado desregulado.
Do primeiro lado, o do governo, tem por base a inclusão social do
povo pobre, as liberdades democráticas, a aceleração das obras de
infraestrutura do país e a permanência das instituições populares democráticas,
mantidas na economia e na busca da
diminuição constante da desigualdade.
O candidato da oposição sustentou
e tinha como base de seu discurso a desregulação do Mercado e a exclusão dos
mecanismos da intervenção regulatória na economia. Isso implicaria, como ele
mesmo deixou claro, montar o Estado mínimo liberal, desnacionalizado com a
reimplantação do neoliberalismo de FHC
de triste memória.
Aécio Neves trazia à sua ilharga ninguém
menos do que o economista Armínio Fraga,
para futuro Ministro, que foi o antigo agente de Soros, o maior especulador do mercado mundial. Fraga foi o mesmo economista que no governo de
Fernando Henrique presidia o Banco Central e a Fazenda quando, por três vezes, o Brasil quebrou,
atingiu os recordes de 45% dos juros Selic. e o maior índice de desemprego da
nossa história moderna. Foi em sua gestão que o país rendeu-se ao FMI ao qual
se socorria para fechar suas contas e que mantinha escritório em Brasília para
monitorar a economia do país, cuja dívida externa orçava pelos 30 bilhões de
dólares e cuja dívida interna de mais de 80% do PIB era dolarizada. As dívidas
comprometiam a nossa soberania, cerceando nossa capacidade de decidir sobre a
economia do país.
Os métodos usados para tentar
mudar o rumo do nosso capitalismo democrático e social e de nossa economia,
através do processo eleitoral ora findo, revestiu-se de ações criminosas com a
ajuda da mídia golpista. O que fizeram não há necessidade de descrever aqui, as
pessoas, de boa-fé e minimante informadas observaram a atuação dos Jornalões,
das Revistas (com a Veja à frente) das televisões e seus noticiários. Foi um
triste espetáculo desenvolvido sem a mais mínima ética e com estranhas
manifestações de ódio partidário e discursos repassados de mentiras e omissões.
O que pretendem os
neoliberais? Pretendem impor ao nosso
país a “austeridade” para maximizar os lucros do Mercado com o sacrifício das
classes mais pobres, dos operários e da classe média com o desemprego e o
congelamento dos salários e pensões. Isso
foi feito na Europa e o Velho Mundo atravessa talvez a maior crise da sua
história. Os Estados Europeus
mediterrâneos e os do Leste registram o maior desemprego e pobreza nos tempos
modernos, os demais estagnaram-se. Tudo
para resgatar os bancos falidos e fazer lucrar o Mercado desregulado.
Pergunta-se: é isto que a gente quer? Ou, o
que a gente queria? Foi um pleito
difícil, mas uma vitória muito importante, decisiva para o nosso futuro a médio e longo prazo, bem como a forma mais democrática de enfrentar a crise
que assola o mundo capitalista, preservando a nossa democracia, implementando
medidas de distribuição de renda, inclusão social e eliminação das
desigualdades, mantendo o nível elevado do emprego..
A oposição, após a derrota, se
aproxima perigosamente do jogo do
golpismo da mídia, num terceiro-turno antidemocrático que o país já não
mais suporta. Por aí se vê como agem os próceres dessa
oposição (sempre com o FHC à frente), sem a menor grandeza política e ética,
mergulhados num mar de ódio antipopular e impatriótico. Não lhes repugna lembrar dos negros
tempos da ditadura militar e parece
deseja-los.
É importante refletir sobre tudo isto quando a
mídia se esmera em pregar e incentivar a ruptura da legalidade, pois o que
verdadeiramente pretende é recolocar no
comando do país os neoliberais e o Mercado desregulado, sem avaliar a perda da
liberdade e da democracia.
VHCarmo.
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