A
PRAGA DO PESSIMÍSMO
Por menos informado que
seja o cidadão, em qualquer lugar do planeta tem conhecimento da grave crise em
que vive o Capitalismo, principalmente nos países centrais. A velha e civilizada Europa é o centro da
crise que se expressa, sobretudo, com o grave empobrecimento das classes média e operária, particularmente os
assalariados.
De 2007 até aqui não se
apontaram caminhos eficientes para a superação da crise que apresenta uma face
diferente das anteriores crises cíclicas do Capitalismo.
A elevada concentração
da renda e a reprodução monetária através de artifícios financeiros levou à
formação de bolhas tendentes a esvaziar o mecanismo de enriquecimento dos
detentores do Capital inclusive dos Bancos.
O remédio para a salvação do sistema gerador de desigualdades residiu na
intervenção dos Estados (governos)
injetando recursos públicos e fiscais para cobrir os prejuízos por eles mesmos causados.
Instituiu-se, então, como
padrão de salvação a chamada austeridade consistente em diminuir
drasticamente os salários e os investimentos sociais, gerar altos índices de
desemprego e manter a riqueza concentrada nos agentes do Capitalismo financeiro
gerador da crise.
O fenômeno, como
afirmado, ocorreu no centro dos países ditos desenvolvidos (Europa e EEUU),
irradiando-se pelo restante do mundo que se interliga inclusive pelo comércio
internacional e pelos interesses geopolíticos de cada um.
O pensador alemão
Wolfgang Streeck, da famosa escola de Frankfurt definiu as medidas buscadas
para a solução – a chamada Austeridade - como simples compra do tempo (Tempo Comprado – Editora Actual - Lisboa),
para vislumbre de uma solução do impasse que vem minando o crescimento global.
O que teria tudo isso a
ver com o momento que se vive no Brasil e o pessimismo que vem sendo disseminado
pela mídia conservadora?
Não há menor dúvida que
sendo o nosso país um dos mais importantes do mundo capitalista, a sua inserção
na economia mundial tem aspectos altamente relevantes na condução da sua
política externa espaço onde se conflitam interesses de cada um dos Estados.
A manutenção de uma política interna de
proteção social e de crescimento impõe uma regulação ativa da ação dos agentes do
Capital em face mesmo daqueles conflitos e pela forma com que se deva promover particularmente
o nosso crescimento.
Até aqui o nosso país
tem se saído bem nesse confronto internacional de crise, preservando a
valorização do trabalho com o quase pleno emprego, ativando os programas
sociais de eliminação da pobreza e da elevação de grande contingente da
população para a classe “C”. Por outro lado, o governo vem também investindo
fortemente na infraestrutura, na educação e saúde. Este é o quadro presente que se
reveste de singular relevância quando se opera em meio a essa severa crise
mundial.
Ao contrário do que a
mídia teima em afirmar, a base de nosso crescimento não reside no comércio exterior,
por sua natureza sujeito a volatilidade,
mas preferentemente no nosso enorme
mercado interno gerador de grande demanda.
Levando-se, ainda em conta, que o governo reserva instrumentos de
intervenção no câmbio e mantem elevado nível de reservas cambiais no Tesouro também
mantém a inflação nos limites da meta legal, usando medidas a seu
alcance.
Onde as razões do
pessimismo? Têm, inegavelmente,
motivações políticas. A recente derrota
eleitoral da oposição fez aumentar ainda mais os ataques midiáticos. A
disseminação do pessimismo se faz de maneira irracional, tentando indicar
medidas conservadoras na gestão da
economia com o favorecimento do Capital sem regulação que é, por sua natureza,
antidemocrático e concentrador da riqueza, tudo com vistas a bloquear o poder regulatório do governo.
No quadro geral da
crise que assola os países capitalistas importantes, o Brasil tem alcançado um crescimento
apreciável. No exercício de 2013 o PIB
do país (2,5%), foi o terceiro maior entre as maiores economias, levando-se em
conta índices negativos e próximos à 'zero', excepcionado o PIB da China que,
porém, baixou mais de 3% ( de 10 para
-7%). Prevê-se para 2014, no Brasil algo perto de
2%.
Como se vê, razões há
para se estar confiante na superação de eventuais dificuldades oriundas da
crise do capitalismo, pois as medidas tomadas até aqui foram corretas, mantendo
a estabilidade econômica, os investimentos na infraestrutura e sobretudo os
programas sociais. É inconsistente o argumento de que o governo tenha gerido mal a
economia.
Nota-se, por fim, o
crescimento dos movimentos contra a Austeridade na Europa e os países
procurando, através da adoção de novo ideário político, a superação da crise
principalmente pela a ativação do emprego
e do salário aviltado e procurando regular, mediante intervenção, o Capital
concentrador e motor da desigualdade. São movimentos vitoriosos na Grécia e na Espanha.
É necessário combater a praga do pessimismo! O Brasil é maior do que seus inimigos midiáticos.
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Vhcarmo.
Haja otimismo! Você sempre dá um jeito de ver a política sob uma ótica ,onde existem heróis e vilões .Mas acho que a situação está mais complexa e como diz o Ivan Lessa "A minha esperança é que a reflexão sobre o Brasil cresça nessas dificuldades "E aí ele concorda contigo:"No momento o debate está extremamente pobre."Carinhos .Angelica
ResponderExcluirDesculpe a troca de nomes.É claro que eu quis citar o Carlos Lessa,que publicou um artigo interessante no "Jornal dos Economistas"de janeiro.Angelica.
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