domingo, 1 de fevereiro de 2015

A PRAGA DO PESSIMÍSMO....(REFLEXÃO)


 A PRAGA DO PESSIMÍSMO

Por menos informado que seja o cidadão, em qualquer lugar do planeta tem conhecimento da grave crise em que vive o Capitalismo, principalmente nos países centrais.  A velha e civilizada Europa é o centro da crise que se expressa, sobretudo, com o grave empobrecimento das classes  média e operária, particularmente os assalariados.

De 2007 até aqui não se apontaram caminhos eficientes para a superação da crise que apresenta uma face diferente das anteriores crises cíclicas do Capitalismo.

A elevada concentração da renda e a reprodução monetária através de artifícios financeiros levou à formação de bolhas tendentes a esvaziar o mecanismo de enriquecimento dos detentores do Capital inclusive dos Bancos.  O remédio para a salvação do sistema gerador de desigualdades residiu na intervenção  dos Estados (governos) injetando recursos públicos e fiscais para cobrir  os prejuízos por eles mesmos causados.   

Instituiu-se, então, como padrão de salvação a chamada austeridade consistente em diminuir drasticamente os salários e os investimentos sociais, gerar altos índices de desemprego e manter a riqueza concentrada nos agentes do Capitalismo financeiro gerador da crise.

O fenômeno, como afirmado, ocorreu no centro dos países ditos desenvolvidos (Europa e EEUU), irradiando-se pelo restante do mundo que se interliga inclusive pelo comércio internacional e pelos interesses geopolíticos de cada um.

O pensador alemão Wolfgang Streeck, da famosa escola de Frankfurt definiu as medidas buscadas para a solução – a chamada Austeridade - como simples compra do tempo (Tempo Comprado – Editora Actual - Lisboa), para vislumbre de uma solução do impasse que vem minando o crescimento global.

O que teria tudo isso a ver com o momento que se vive no Brasil e o pessimismo que vem sendo disseminado pela mídia conservadora?

Não há menor dúvida que sendo o nosso país um dos mais importantes do mundo capitalista, a sua inserção na economia mundial tem aspectos altamente relevantes na condução da sua política externa espaço onde se conflitam interesses de cada um dos Estados.

 A manutenção de uma política interna de proteção social e de crescimento impõe uma regulação ativa da ação dos agentes do Capital em face mesmo daqueles conflitos e pela forma com que se deva promover particularmente o nosso crescimento.

Até aqui o nosso país tem se saído bem nesse confronto internacional de crise, preservando a valorização do trabalho com o quase pleno emprego, ativando os programas sociais de eliminação da pobreza e da elevação de grande contingente da população para a classe “C”.   Por outro lado, o governo vem também investindo fortemente na infraestrutura, na educação e saúde. Este é o quadro presente que se reveste de singular relevância quando se opera em meio a essa severa crise mundial.

Ao contrário do que a mídia teima em afirmar, a base de nosso crescimento não reside no comércio exterior, por sua natureza  sujeito a volatilidade, mas preferentemente  no nosso enorme mercado interno gerador de grande demanda.   Levando-se, ainda em conta, que o governo reserva instrumentos de intervenção no câmbio e mantem elevado nível de reservas cambiais no Tesouro também mantém a inflação nos limites da meta legal, usando medidas a seu alcance.

Onde as razões do pessimismo?   Têm, inegavelmente, motivações políticas.  A recente derrota eleitoral da oposição fez aumentar ainda mais os ataques midiáticos. A disseminação do pessimismo se faz de maneira irracional, tentando indicar medidas  conservadoras na gestão da economia com o favorecimento do Capital sem regulação que é, por sua natureza, antidemocrático e concentrador da riqueza, tudo com vistas a bloquear o poder regulatório do governo. 

No quadro geral da crise que assola os países capitalistas importantes, o Brasil tem alcançado um crescimento apreciável.   No exercício de 2013 o PIB do país (2,5%), foi o terceiro maior entre as maiores economias, levando-se em conta índices negativos e próximos à 'zero', excepcionado o PIB da China que, porém, baixou mais de 3%  ( de 10 para -7%).   Prevê-se para 2014, no Brasil algo perto de 2%.

Como se vê, razões há para se estar confiante na superação de eventuais dificuldades oriundas da crise do capitalismo, pois as medidas tomadas até aqui foram corretas, mantendo a estabilidade econômica, os investimentos na infraestrutura e sobretudo os programas sociais. É inconsistente o argumento de que o governo tenha gerido mal a economia.

Nota-se, por fim, o crescimento dos movimentos contra a Austeridade na Europa e os países procurando, através da adoção de novo ideário político, a superação da crise principalmente  pela a ativação do emprego e do salário aviltado e procurando regular, mediante intervenção, o Capital concentrador e motor da desigualdade.  São movimentos vitoriosos na Grécia e na Espanha.

É necessário  combater a praga do pessimismo! O Brasil é maior do que seus inimigos midiáticos.

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Vhcarmo.

2 comentários:

  1. Haja otimismo! Você sempre dá um jeito de ver a política sob uma ótica ,onde existem heróis e vilões .Mas acho que a situação está mais complexa e como diz o Ivan Lessa "A minha esperança é que a reflexão sobre o Brasil cresça nessas dificuldades "E aí ele concorda contigo:"No momento o debate está extremamente pobre."Carinhos .Angelica

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  2. Desculpe a troca de nomes.É claro que eu quis citar o Carlos Lessa,que publicou um artigo interessante no "Jornal dos Economistas"de janeiro.Angelica.

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