Morreu
o cinegrafista de uma emissora de Televisão, atingido por um “rojão” acionado
por um encapuzado e violento marginal. Comoção geral e justa. O fato, porém, se presta a uma análise sem
paixão.
Ninguém,
ninguém mesmo, compactua com a violência policial.
É compreensível
e também legítima a vigilância geral exercida, inclusive pela imprensa e seus
colunistas, sobre a atuação dos policiais.
É insuportável o excesso com que estes últimos agem, muitas vezes, no
embate com manifestantes nas chamadas passeadas de protesto.
Além
da arma de fogo que o policial conduz presa ao corpo, muni-se de artefatos
apropriados para dissolver tumultos: gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral,
de balas borracha e jatos de água, todos meios não letais.
De
um lado: a polícia para conter e não cometer excesso. Do outro lado: os
manifestantes - em sua maioria pacíficos – e os violentos, munidos de rojões e
materiais próprios para a agressão, dispostos a matar, a agredir e destruir,
indivíduos mascarados que se aproveitam dos protestos para praticar
atos criminosos.
O
policial é o agente da segurança publica que deve, por imperativo legal, presta-la
aos cidadãos que manifestem pacificamente as suas reivindicações e reprimir
aqueles que as desvirtuam mediantes ações criminosas.
As
ações criminosas usadas pelos manifestantes violentos atentam contra a
segurança dos demais e vulneram o patrimônio público e particular. O mais grave, no entanto, é o que representa
em termos de confronto com o estabelecido na Constituição Federal como cláusula
pétrea, ou seja, a vedação da insurgência contra o Estado de Direito Democrático
que, por sua vez, veda atos que contribuam para a sua derrocada.
Indaga-se
o que pretendem os violentos? aqueles
que conduzem artefatos que podem até matar?
aqueles que, desafiando a segurança, se arremetem contra os
estabelecimentos públicos e privados e contestam a normalidade democrática
vigente?
Por
outro lado é de considerar: alguém que participa de uma manifestação munido de
artefatos capazes de ferir e até mesmo de matar pode esperar um tratamento pacífico
do agente da segurança coletiva? Claro que não.
A
proporcionalidade desejada da resposta policial se estabelece de modo altamente
perigoso, pois quem está disposto a ferir e matar, corre também o risco de ser
ferido ou morrer. Esperar-se do policial - que também é um ser
humano - uma resposta pacífica é, mesmo, uma ilusão, posto que seja imperativo
ao agente defender os demais manifestantes e também sua própria vida e sua
integridade física contra um indivíduo encapuzado e munido de artefatos capazes
de ferir e matar.
Em
resumo: fica evidente que os predadores pretendem violar a ordem democrática
que os agentes pretendem garantir para as vítimas da violência e, mesmo, para eles próprios policiais como indivíduos portadores de direitos de autodefesa.
Por fim impõe mais uma grave reflexão sobre a posição da mídia em face dos agentes da violência. Até então constatava-se uma certa tolerância, uma disfarçada simpatia, uma menção passageira dos órgãos de comunicação conservadores em face da violência dos "balck blocs", naturalmente quando poderiam, de forma indireta, inculpar o governo e criar um mal estar propício à difusão de temores e medo. Em ano eleitoral tudo lhes convém.
A morte do cinegrafista mudou o foco. Atingiu-se um dos seus e vislumbra-se uma nova direção da violência que não convém á mídia. Seria demais afirmar: "há mal que vem pro um bem"?...
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Por fim impõe mais uma grave reflexão sobre a posição da mídia em face dos agentes da violência. Até então constatava-se uma certa tolerância, uma disfarçada simpatia, uma menção passageira dos órgãos de comunicação conservadores em face da violência dos "balck blocs", naturalmente quando poderiam, de forma indireta, inculpar o governo e criar um mal estar propício à difusão de temores e medo. Em ano eleitoral tudo lhes convém.
A morte do cinegrafista mudou o foco. Atingiu-se um dos seus e vislumbra-se uma nova direção da violência que não convém á mídia. Seria demais afirmar: "há mal que vem pro um bem"?...
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VHCarmo.
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