Passado o concretismo e
o neoconcretismo, a nossa poesia
envereda, ao fim do século XX, para um singular "desespero", uma contra/forma ou candente e se mostra anticanônica, buscando o desregrado. Se instala uma espécie
de desafio entre o erudito e o popular, tanto na forma como na mensagem.
Remonta-se ao imutável cordel e suas raízes, desbordando em seu entorno para ,
de certa forma, torná-lo visível. Dar voz ao som difuso das ruas e falar de
intimidades do poeta, fugindo de ilações indo direto aos fatos e à vida. É, por fim, uma poética de fim de século, despertada
da turbulenta noite ditatorial.
O poeta Torquato Neto, nesse
poema que aí vai, caracterisa seu tema.
Olhem só:
COGITO
eu
sou como eu sou
pronome
pessoal
intransferível
do
homem que iniciei
na
medida do impossível
eu
sou como eu sou
agora
sem
grandes segredo dantes
sem
novos secretos dentes
nesta
hora
eu
sou como eu sou
presente
desferrolhado
indecente
feito
um pedaço de mim
eu
sou como eu sou
vidente
e
vivo tranquilamente
todas
horas do fim.
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VHCarmo.
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