segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

UM MOMENTO DE POESIA (é o algo mais).


Passado o concretismo e o neoconcretismo, a  nossa poesia envereda, ao fim do século XX, para um singular "desespero", uma contra/forma ou candente e se mostra anticanônica, buscando o desregrado. Se instala uma espécie de desafio entre o erudito e o popular, tanto na forma como na mensagem. Remonta-se ao imutável cordel e suas raízes, desbordando em seu entorno para , de certa forma, torná-lo visível. Dar voz ao som difuso das ruas e falar de intimidades do poeta, fugindo de ilações indo direto aos fatos e à vida.   É, por fim, uma poética de fim de século, despertada da turbulenta noite ditatorial.

               O poeta Torquato Neto, nesse poema que aí vai, caracterisa seu tema.  Olhem só:

                                               COGITO

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
 
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredo dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
 
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
 
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas horas do fim.
____________________________________
VHCarmo.
 

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