Perigo da regressão colonial.
No passado tivemos no
Brasil intelectuais voltados para a nossa realidade e para a complexidade da
nossa formação, principalmente após o advento da Revolução de 30, a exemplo de
Caio Prado Junior, Darcy Ribeiro, Nelson Verneck Sodré, Celso Furtado e outros.
A complexidade da
formação do nosso povo - a partir daquela revolução - se acentuava,
desmanchando aquele quadro de desigualdade da população que em sua maioria
vivia, na República Velha, onde ainda prevalecia o regime colonial
escravocrata.
Com o crescimento da
população urbana e da miscigenação, originária da exploração colonial de mão de
obra escrava negra, o país vê, então, acentuar sua vocação de nação e a
insurgência interna contra a desigualdade pontuada por movimentos e nomes respeitáveis.
Os intelectuais de
então- em sua maioria - se voltaram para o debate das questões internas no
combate a desigualdade e nas lutas ligadas à liberação dos vínculos da
dependência externa. Foi o tempo da
Aliança Libertadora da atuação do Partido Comunista Brasileiro e posteriormente,
após o ressurgir da violência da ditadura militar, encontrou a resistência
democrática.
Hoje, estamos carentes
de intelectuais que se voltem para estas questões que são cada vez mais atuais. Alguns pobres pensadores se voltam para
utopia e o voluntarismo estéril.
Aos “trancos e
barrancos” a luta contra desigualdade e a afirmação da independência nacional levou
o país estar entre as 10 maiores economias do mundo e ser o campeão da eliminação
da fome, diminuição da desigualdade e da promoção de grande camada do nosso
povo a patamares elevados de classe média.
A carência de
intelectuais influentes e voltados para o país e, por outro lado, o
fortalecimento da resistência conservadora, aponta para o perigo de um retrocesso colonial. Não só pela a ausência de intelectuais e de
políticos de vocação nacionalista, mas, também e, sobretudo, pela intensa ação
impatriótica da mídia monopolista
conservadora que impede não só as
reformas necessárias, mas patrocina verdadeira contrarreforma, em curso no
parlamento.
Retrocesso
colonial no sentido de restabelecer os vínculos com as
potências econômicas hegemônicas do imperialismo, o abandono das nossas zonas
de influência externa e o consequente empobrecimento do país e do nosso
povo. Este perigo nos ronda.
A liderança atuante que nos resta, nascida no
meio do povo, é a do ex-presidente Lula que passou a ser o alvo da reação que
atiça contra ele a extrema direita fascista instalada no Judiciário.
Há que conscientizar o
nosso povo deste perigo, principalmente a nossa juventude, sempre generosa,
para sair em defesa da pátria ameaçada.
VHCarmo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário